Por: Andréa Leonora | 08/02/2019

Na próxima semana, uma comitiva catarinense terá uma audiência com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e a Confederação Nacional da Agricultura. O tema em pauta será a decisão do Ministério da Economia de encerrar a cobrança tarifária antidumping sobre a importação de leite em pó, integral ou desnatado, da União Europeia e Nova Zelândia.

A retirada da proteção tarifária, necessária para suportar o forte subsídio concedido pelos governos desses mercados, assustou os produtores de leite do país. Em Santa Catarina não foi diferente.

O secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouvêa, confirmou que o setor leiteiro de Santa Catarina está preocupado com a anulação das tarifas. Ele disse que o agronegócio catarinense já manifesta sua apreensão com a notícia, mas que ainda não há uma avaliação sobre os impactos da anulação das tarifas. “Nós vamos avaliar essa mudança e os reais impactos para o setor leiteiro de Santa Catarina.” Ele anunciou que a Secretaria e suas empresas vinculadas trabalharão em parceria com o setor para fortalecer a cadeia do leite no estado. Vale lembrar que Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do Brasil.

Gouvêa também deve ir a Brasília nos próximos dias para reunião com a ministra da Agricultura. Na pauta, além da questão do leite, estão os convênios da Secretaria da Agricultura com o governo Federal e os programas de sanidade agropecuária de Santa Catarina.

“Tenho pena de quem produz leite no Brasil se a medida antidumping não for novamente adotada.” A manifestação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc), José Zeferino Pedrozo (foto). Ele afirma que a medida coloca sob ameaça a cadeia produtiva nacional, que pode entrar em colapso. Com isso, sofrerão os impactos os produtores rurais, as cooperativas e os pequenos, médios e grandes laticínios. De acordo com o dirigente, o custo de produção do leite brasileiro é imensamente maior e a tributação no Brasil é extremamente mais elevada do que o leite estrangeiro. Outro fator que retira a competitividade do produto nacional é a deficiência logística para captação, processamento e distribuição do leite e seus derivados nas bacias leiteiras do país.

Pedrozo teme que o mercado interno seja inundado com leite importado em face do grande estoque de leite em pó existente atualmente na Comunidade Europeia. O excesso de importação de leite em pó dos países-membros do Mercosul – especialmente Argentina e Uruguai – já era um problema crônico a desestabilizar o mercado brasileiro.

Leia sobre a reação do Ministério da Agricultura aqui

 

Números

Santa Catarina é o quarto produtor nacional, com produção anual de 3,059 bilhões de litros de leite. Praticamente todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que proporciona renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural.

Só o Oeste catarinense responde por 75% da produção. Os 80 mil produtores de leite (dos quais 60 mil são comerciais) geram mais de 9 milhões de litros/dia. A capacidade industrial está estruturada para processar até 10 milhões de litros de leite/dia.