Por: Andréa Leonora | 06/11/2018

O governador Eduardo Moreira recebeu para o almoço, hoje, na Casa D’Agronômica, deputados emedebistas estaduais da atual e da próxima legislatura, e os prefeitos Gean Loureiro, de Florianópolis, e Udo Döhler, de Joinville. Expôs como está sendo efetivado o período de transição, em trabalho conjunto com a equipe do governador eleito Comte. Moisés, falou sobre a situação das finanças do Estado nesse final de mandato, pediu apoio para os projetos que precisam ser aprovados na Assembleia ainda em 2018, especialmente para a reforma administrativa orientada por Moisés, e anunciou, agora oficialmente, que pretende reassumir a presidência do MDB catarinense.

A conversa não deve ter sido das mais tranquilas. Teve até deputado evitando conversar com a imprensa depois do encontro com o governador. Há pelo menos dois assuntos mais polêmicos e que podem explicar a tensão.

O primeiro é o desejo manifestado por Moreira de voltar à presidência do partido. É que o presidente da bancada do MDB na Assembleia, deputado estadual Carlos Chiodini, que no próximo ano começa o mandato na Câmara federal, já articulava uma chapa para concorrer na convenção do partido, prevista inicialmente para o mês que vem, ainda que existam alguns apostando que ficará para 2019.

À tarde, já em seu gabinete e em entrevista para a reportagem da ADI-SC/SCPortais e Adjori-SC/RCN Online, o governador declarou que não vai para a disputa. “É claro que não disputarei. Se depois de tudo o que passei não tiver a confiança para presidir o partido… fiz concessões, desisti da candidatura para não dividir o partido. Talvez até tivesse um resultado melhor, pelo próprio domínio sobre os assuntos do Estado.”

O deputado reeleito para a Assembleia Legislativa Valdir Cobalchini (MDB), que também participou da reunião-almoço com o governador Moreira, contou que o pedido para que se votem matérias importantes ainda em 2018, incluindo aí a proposta de reforma administrativa, foi recebido com muito cuidado pela bancada. Os deputados manifestaram de forma unânime que o tempo é exíguo para isso, além do fato de que nem todos os que estavam na reunião voltarão na próxima Legislatura. “Seria uma tramitação muito atropelada. O consenso é que teremos boa vontade com o governo, atual e futuro, mas aconselhamos que a reforma seja encaminhada depois da posse do novo governador.”

De acordo com Cobalchini, um dos motivos da resistências da bancada do MDB é que, pelo que tem sido anunciado por Moisés, será proposta a extinção das ADRs (antigas SDRs), estruturas criadas pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira e por muito tempo patrimônio político do partido. “Como nós vamos votar pela extinção das ADRs durante o nosso próprio governo? Nós criamos e nós vamos botar a pá de cal?”

Tentamos falar com o deputado Chiodini durante a tarde e agora à noite, sem êxito. Presidente da bancada do MDB na Assembleia e eleito deputado federal nas últimas eleições, ele é uma liderança importante do partido e desejar ser presidente é legítimo. Mas logo depois do almoço ele viajou para Brasília, onde participará de reunião na Fundação Ulysses Guimarães, já que preside a FUG-SC. E também foi escolher seu novo gabinete, que provavelmente será o ocupado hoje pelo deputado federal Mauro Mariani, que disputou o governo do Estado nas últimas eleições e, pelo menos por enquanto, preside o MDB em Santa Catarina.