Por: Pelo Estado por: Andréa Leonora | 05/06/2019

Ao falar pela primeira vez em Plenário e também com a imprensa depois de ter seu nome envolvido na Operação Alcatraz, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD), garantiu que, ao menos por enquanto, não vai se afastar de suas funções e manterá o ritmo normal de trabalho na Casa. A operação foi deflagrada na quinta-feira da semana passada (30 de maio) em operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal. Apesar de não estar na lista de investigados com prisão preventiva ou provisória, o nome de Garcia foi o que mais repercutiu na imprensa e no meio político.

Isso por conta do suposto (ainda em investigação) envolvimento de amigos de longa data, além de parentes e da busca por materiais feita em sua residência. Na fala que fez aos deputados da Tribuna da Assembleia, várias vezes com a voz embargada, disse estar vivendo o dia mais triste de toda a sua trajetória no Parlamento, mas ao mesmo tempo declarou sua confiança na Justiça que, ao lado do Legislativo, é o pilar mais forte da democracia.

Quando Julio Garcia afirmou que é preciso ter serenidade e que tem o dever de se defender, muito acreditaram que ele anunciaria um pedido de licença da presidência da Assembleia e mesmo do mandato. Mas ele tratou de negar essa possibilidade logo depois, durante a conversa que teve com jornalistas. Julio Garcia falou das duas linhas possíveis para o envolvimento de seu nome na Operação Alcatraz. A compra de um terreno, há 25 anos, legalizado pelo advogado Nelson Nappi, tratado como epicentro do esquema de fraude em licitações, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal. Garcia não negou ter amizade com Nappi, de quem foi padrinho de casamento. Tampouco negou a amizade com Jefferson Rodrigues Colombo, dono da Apporti, e genro de sua ex-mulher.

 

Apoio declarado

 

Foto 1: Recebido e abraçado pelo deputado Silvio Dreveck (PP), ex-presidente da Assembleia | Foto 2: Recebido e abraçado pelo deputado Mauro De Nadal (MDB), primeiro vice-presidente da Assembleia | Foto 3: Cumprimentado pelo presidente do Sindicato dos Servidores da Alesc, Diego Vieira de Souza | Foto 4: Cumprimentado pelo assessor parlamentar Júlio Cancellier, irmão de Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC que se suicidou pela pressão sofrida em outra operação da PF  | Fotos: Fábio Queiroz/Agência AL

 

O pronunciamento feito pelo deputado Julio Garcia gerou uma sequência de manifestações de apoio por parte dos demais parlamentares. A primeira a se pronunciar foi a deputada Paulinha (PDT), seguida por Ismael dos Santos, Milton Hobus e Marlene Fengler (PSD), Valdir Cobalchini (MDB), Fabiano da Luz (PT), Laércio Schuster (PSB), Maurício Eskudlark (PR), líder do governo no Legislativo, Felipe Estêvão (PSL), Ivan Naatz (PV) e Luiz Fernando Vampiro (líder da bancada do MBD). De todos recebeu declarações de amizade, de respeito e até de admiração pelo equilíbrio que vem mantendo diante da situação. Apesar de evidentemente abatido, Garcia disse que está forte. “Não quero ser pré-julgado, mas não abro mão de ser julgado”, declarou, certo de que tudo será esclarecido e de que seu não envolvimento no esquema será provado.

 

Prejuízo político O presidente da Assembleia não acredita em prejuízo político para sua carreira. Disse que não tem mais projetos e que já passou da “fase da ambição”. Para evitar maiores máculas, Julio Garcia tratou de logo determinar não só a exoneração de Nappi da Diretoria de Tecnologia, como também a suspensão de todos os processos licitatórios e revisão de todos os contratos em andamento.

 

Em um dos momentos mais intensos de Garcia durante a conversa com repórteres, ele lembrou o suicídio do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, em outubro de 2017. Cancellier era investigado na Operação Ouvidos Moucos. “Ele não aguentou. Eu vou aguentar.”

 

Conforme adiantamos, o novo presidente do MDB-SC, deputado federal Celso Maldaner, teve reunião, ontem, com a bancada estadual do partido. A portas fechadas e sem a participação sequer dos principais assessores da bancada, Maldaner falou das contas do partido, apresentou a função e o salário de cada funcionário e começou a alinhavar a composição da Executiva. Ainda não foi dada a palavra final, mas, de acordo com informações obtidas da deputada Ada De Luca, ela será a terceira vice-presidente, e os colegas de bancada, Fernando Kreeling e Volnei Weber, serão, respectivamente, o secretário geral e o tesoureiro.

 

Visita A primeira visita do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a Santa Catarina, será no dia 12 de julho. A convite do deputado federal Daniel Freitas (PSL-SC), Moro percorrerá três cidades. Vai participar da entrega de equipamentos ao sistema prisional, em Florianópolis, será palestrante da programação de 75 anos da Associação Empresarial de Criciúma (ACIC), e ainda visitará Tubarão, base do governador Carlos Moisés. Mas por lá a agenda ainda não está definida.