Por: Pelo Estado por: Andréa Leonora | 29/11/2018

O jogo político pós-eleições é tão ou até mais intenso que o observado no período eleitoral. Definidos os vencedores, começam as articulações para formação de governo, composições na Assembleia Legislativa e ocupação de cargos. Para aumentar as emoções do período, os acordos feitos de um lado sempre têm reflexos no outro, num ciclo permanente de ajustes político-partidários e institucionais. Enquanto o governador eleito Carlos Moisés mantém a cautela em suas manifestações, evitando citar nomes que poderão estar no governo, no Legislativo as articulações são mais claras, ainda que também feitas com boa dose de cuidado. Até porque, uma jogada errada pode colocar toda a estratégia em risco.

O MDB já definiu o nome de quem vai indicar para a presidência da Assembleia, o deputado Mauro de Nadal. Mas, sem a presença dos dois concorrentes na reunião, deputados Valdir Cobalchini e Moacir Sopelsa, não se pode falar em unanimidade e tampouco em coesão. No PSD também há pelo menos três deputados construindo posição para a presidência – Milton Hobus e Ismael Silva, reeleitos, e Julio Garcia, que volta à Casa depois de um tempo dedicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC). Mas, nos bastidores da Assembleia corre que, apesar de ficar fora do Legislativo a partir do próximo ano, Gelson Merisio, presidente do PSD-SC, está ativo no jogo, inclusive propondo que os quatro anos da próxima legislatura sejam presididos por quatro diferentes deputados de quatro diferentes partidos. Uma forma de agradar gregos e troianos, e de se manter em evidência.

Pelo PSDB, o nome de Marcos Vieira não sai do foco. No PP, fala-se da possibilidade de o deputado José Milton Scheffer se apresentar para a tarefa. Pelo PSL, Ricardo Alba, o deputado mais votado, já aceitou posição na Mesa e abriu mão de concorrer. O fato é que, com tantos atores, o jogo está completamente indefinido e aberto. Ganhará aquele que tiver maior paciência e capacidade de antever os lances dos demais.

 

Em todas

O deputado eleito Julio Garcia é daqueles que fala pouco, mas sobre quem se fala muito. Em todas as conversas sobre o próximo ano legislativo, pode contar que seu nome será citado. Não é à toa. Além de ter sido deputado e presidente da Assembleia antes da passagem pelo TCE-SC, é reconhecido como especialista em articulação e em negociação. Para a reportagem da Coluna Pelo Estado, ontem à tarde, ele classificou como “insipientes e precoces, porém legítimos” os movimentos de disputa pela presidência do Legislativo. “Eu não fiz nenhum movimento ainda”, garantiu. A possibilidade de uma composição com o PSL, via Carlos Moisés, para garantir a governabilidade também foi afastada por Garcia, como se não fossem situações relacionadas. “Não se pode misturar as coisas. Quem constrói a eleição da Assembleia são os deputados. O que constrói a governabilidade é a relação do governador, e do governo, com a Assembleia.” Quando ressaltadas suas características de articulador, Garcia riu: “Eu acho que as pessoas é que são generosas comigo quando dizem isso. Eu apenas gosto de conversar. No Parlamento, isso é importante. Faz parte da política. Quem se elege, quem passa pelo teste das urnas, tem qualidades para ocupar qualquer cargo no Legislativo.” No final da entrevista, afirmou que nunca conversou com Moisés e tampouco com o presidente do PSL-SC, Lucas Esmeraldino. Também disse que não tem agendas marcadas com eles. | Foto: Ascom/TCE

Como se não faltassem pimentas nesse cenário político, começou a circular notícia sobre a saída de Merisio do PSD-SC. Ele tem evitado falar com a imprensa, mas pessoas próximas dele garantem que a informação não procede. Pelo contrário! O interesse de Merisio é chegar ao final do mandato de presidente do PSD estadual com a casa ainda mais arrumada para as eleições municipais de 2020. E, quem sabe, concorrer à reeleição do partido.

Independentemente das composições que serão consolidadas até o dia 1º de fevereiro de 2019, data da posse dos novos deputados, o que se prevê é que a disputa será no voto. Bem diferente dos últimos anos, marcados por acordos que tornaram mornos os debates. Mauro de Nadal já teria manifestado internamente que não pretende dividir um eventual mandato de presidente da Assembleia. Ou seja, eleito para dois anos, cumprirá dois anos. No entanto, nada impede a divisão da Legislatura, com os dois anos finais ficando para Garcia, por exemplo.

Saúde Deputado reeleito pelo PT, Neodi Saretta fez um apelo ao futuro governador, ontem, da tribuna da Casa – que Moisés sequer cogite a volta dos antigos percentuais aplicados na Saúde. Em 2016 foi aprovada uma Emenda Constitucional que aumentou as destinações de forma escalonada para a área, começando em 12% e alcançando os 15% em 2019. Saretta citou uma fala do secretário da Fazenda, Paulo Eli, de que em 2018 o empenho para a Saúde será de 14%, conforme previsto na emenda. Mas que, em termos financeiros, o repasse ficará em torno dos 11%. “Não adianta empenhar e não pagar”.

Ministério Público (MPSC), que conduz o Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, está à frente das atividades da próxima segunda-feira (03/dezembro). Em ato público, no Centro de Florianópolis, serão realizadas manifestações para marcar o Dia Mundial de Luta contra os Agrotóxicos. Haverá a entrega de amplo estudo científico que trata dos impactos dos agrotóxicos na Saúde.