CPI dos respiradores: empresário volta a falar em propina para aquisição de aparelhos

O empresário Rafael Wekerlin, CEO da Brazilian International Business, voltou a dizer que houve pedido de propina na negociação para compra dos 200 respiradores da empresa Veigamed. A declaração, que também foi dada em depoimento à polícia, desta vez, ocorreu na CPI dos Respiradores da Alesc. O empresário confirmou um pedido de comissão, no valor de R$ 3 milhões, para sua empresa prosseguir nas negociações e ajudar a importar os respiradores da China.

A CPI dos Respiradores foi instalada em 5 de maio, com trabalhos iniciados no dia 12 do mesmo mês. A comissão ouviu os principais envolvidos na negociação que resultou no pagamento antecipado de R$ 33 milhões. Até hoje, os equipamentos não foram entregues.

Fotos: Bruno Collaço / Agência AL

Segundo o deputado estadual João Amin (PP), um dos nove parlamentares membros da CPI, o relator, deputado Ivan Naatz (PL) estipulou, no máximo, até julho para encerrar os trabalhos. O progressista acha que é importante não misturar a CPI com a campanha eleitoral.

“A CPI deve terminar antes da campanha, para que os assuntos não se misturem. O relator manifestou o compromisso de apresentar o relatório antes do início das eleições”, informou Amin.

Entenda a negociação com a Brazilian International Business

A Brazilian International Business é uma empresa de Joinville especializada em comércio exterior. Conforme Wekerlin, pode importar ou exportar vários produtos. Ele disse aos deputados que foi procurado por seu representante, Cauê Martins, e este soube por meio de um amigo, Germano, que o Estado pretendia trazer 200 respiradores artificiais da China. A negociação, segundo Wekerlin, não traria lucro para sua empresa e acabou depois do pedido de comissão no WhatsApp.

Os detalhes sobre a partcipação da empresa de Wekerlin na compra dos 200 respiradores foram detalhados na reportagem do The Intercept Brasil, que trouxe o caso à tona. Em 28 de abril, a reportagem mostrou que o empresário encaminhou uma proposta ao governo. Em seguida, ela foi alterada e transformada na proposta da Veigamed.

De acordo com Wekerlin, Samuel de Brito Rodovalho, representante da Cima, seria o fornecedor dos respiradores e precisava de uma trade para a importação. A Brazilian International Business cumpriria a tarefa, fazendo um procedimento comum à sua natureza, segundo o empresário.

Wekerlin também disse que o primeiro contato sobre os respiradores foi em 25 de março, por volta das 19h. Cauê Martins lhe disse que o Estado tinha urgência na compra e pretendia fazer o pagamento no dia seguinte, 26 de março.

A pré-proposta foi construída e encaminhada ao Estado no e-mail da Superintendência de Gestão Administrativa (SGA) da Secretaria de Estado da Saúde. Segundo o empresário, o envio aconteceu no dia 25, por volta das 21h30.

Negociação termina após questionamento de ‘comissão’ WhatsApp

No intuito de facilitar as negociações, foi criado um grupo de WhatsApp. Lá, teria surgido o pedido de comissão na compra dos respiradores. Segundo Wekerlin, na tarde do dia 26, enquanto discutiam a importação, Samuel Rodovalho teria perguntado sobre os “R$ 3 milhões de comissão dela”, sem especificar quem fez o pedido. Nesse momento, Wekerlin e sua empresa saíram das negociações.

“O compliance já tinha sido quebrado. Não quis nem saber de quem ia receber a comissão”, disse o empresário.

Ainda de acordo com Wekerlin, a pré-proposta que encaminhou ao Estado foi copiada na proposta utilizada pela Veigamed e sua empresa tomará providências a respeito disso. Na CPI dos Respiradores, Wekerlin também disse que não conhecia a Veigamed e nem teve contato com Douglas Borba, Marcia Pauli, Fabio Guasti ou Helton Zeferino, nomes envolvidos na investigação.

Sobre o futuro da CPI dos Respiradores, segundo o deputado João Amin, os técnicos do Tribunal de Contas também podem ser convidados a falar.

“A gente tem uma série de pessoas que devem ser ouvidas. Acredito que os técnicos do Tribunal de Contas podem contribuir muito para o andamento das investigações. Eu vou estudar a participação do TCE na própria compra, se foram consultados, ou não. Se foram, é importante eles ajudarem a esclarecer esses fatos”, revelou João Amin.

Além dos técnicos do TCE, Cauê Martins e Germano, que aparecem nos depoimentos de Wekerlin, serão convocados a prestar depoimento. Samuel Rodovalho será ouvido na próxima terça-feira, 23, e pode elucidar a questão pendente: quem é ela?

Por Nícolas Horácio.